16.11.09

Sobre as apologias à preservação animal

Confesso que eu fico nervosa quando discuto com defensores ferrenhos dos direitos dos animais. Sempre que essa discussão aparece, lembro de uma campanha publicitária antiga ( que inflizmente não encontrei) que tinha como slogan "GENTE TAMBÉM É BICHO". Isso me vem à mente justamente porque custa a me descer na garganta que se tenha que preservar uma única andorinha azul dos campos de Yorkshire, enquanto centenas de crianças aleijadas pela poluição arrasadora são abandonadas pelos pais na China.
Claro, eu tenho calafrios de morte quando vejo uma pessoa gastar cem reais em ração e não doar um centavo que seja para nenhuma creche, organização ou mais simples, remunerar decentemente a empregada, o motorista, a manicure...
Aí um colega meu de Pós, disse uma coisa sábia: "a gente tem que lutar por tudo ao mesmo tempo, pois todo mundo corre perigo.."
É de cortar o coração ver um bichinho perdido? É. Mas eu acho infinitamente pior e cortante ao coração ver uma criança aleijada, cancerosa, suja, faminta, triste e órfã. Porque o bicho pode até sentir, mas a criança sabe, ela é um ser humano que foi abandonado por um semelhante. E isso é aterrador, se pensarmos que a consciência, maior até que o instinto animal, busca a autopreservação e a preservação do bem comum, embasado por diretrizes sejam religiosas, de moral e de ética.
É uma pena imensa que várias espécies estejam perdidas? Com certeza. Mas inclusive por isso, para evitar que os homens continuem dizimando a tudo e a todos que se faz necessário, mais do que nunca, a ajuda comunitária, o olhar compreensivo aos seres humanos em situação de horroroza penúria pelo mundo.
Então, sorry, eu acho o fim tratar bicho com luxo, como filho, como parente, como gente. Eu acho o fim maior ainda, tratar gente como bicho, achando simples e normal que ele defeque onde se deita, como os animais, que durma e more nas ruas como os animais. Eu não acho que o homem é um ser imune à regra máxima da natureza, que é a evolução, a substituição e a morte. Ele é como a árvore, no ciclo da vida. Mas hoje é sem dúvida, a espécie que mais corre o risco de extinção. Seja pela péssima qualidade de vida, seja pelo péssimo hábito de excluir de si mesmo a responsabilidade sobre seus atos no mundo e perante seus semelhantes.


Veja o conjunto das fotos.

28.10.09

Happy happy joy joy

Meu amorzão adora Halloween. E como quando a gente ama a gente fica bobo, acaba entrando na onda (e até gostando!). Pra ele e pra quem também curte, algumas coisas legais.
Primeiro, o Bem legaus com coisa liiiindas temáticas, desde roupas, passando por enfeites, vasos e cortinas.
E achei essas pizzas!

(Foto by Imagebank)
Fofura pouca é bobagem!

19.10.09

Fiat Lux

Saber que existe isso, pra mim, é um galão e meio de oxigênio nesse fundo de mar morto que é o mundo. Não precisa nem crença em outro mundo (Porque, amigos, desnecessário mais lacunas alhures para provar que este sim, é o desconhecido).
É ler e quase dar a mão pra esse outro alguém que nei sei onde, sabe exatamente do que eu estou falando. E sabe mais, porque sabe COMO dizê-lo (minha falta).
E nem é porque espelha: é porque existe e justamente não sou eu. Porque é antes de mim, como foi o Verbo, que falou o que fala aqueles escuros e claros, aqueles ensombreados do Pessoa, do Drummond, do Rilke, do Bergman e do Kieslowsky. Saber que eles existem nos fala uma coisa óbvia que a gente esquece: de vez em quando a gente encontra eles de novo. Porque tal qual esse moto contínuo de viver pra não se matar, existe todo um emaranhado de linhas e todo um prazer em os ir desfiando pra viver.
Porque sim, vale a pena é pelo que não há. O que há já morreu.

15.10.09

Parabéns DG!

E os 10 anos da Design Gráfico tem promoção, valendo um super livro!!

9.10.09

E José viu o retrato

E quando José levou suas fichas coloridas no imenso prédio, ele percebeu. Quando se sentou, esperando a ordem de atendimento ele viu, como se tivessem por descuido, deixado cair o manto que cobria o retrato de Dorian. Aqueles sujeitos têm uma cara. They have that look. Especificamente aqueles com cargos burocráticos. Porque a burocracia sempre esteve fadada ao fim, sempre se soube, pois o homem é um ser de soluções... E assim que o rosto deixou-se ver, José pode ler a sua história. Ele, o funcionário da máquina, quando nasce - ou, toma posse- na infância do cargo, percebe que o serviço, quando há, é pouco e repetitivo. Então ele começa por se envergonhar de se dar ao ócio quando tantos têm trabalhos penosos, pesados, preocupantes e estressantes; com o tempo, porém, ele começa a perceber que os outros percebem o medo, a vergonha estampada neles por isso. Então começam a procurar algo em que possam se sobressair(claro, que não seja talento, já que a máuina não é reconhecida por elevar ninguém pelo talento); Então ele descobre que tem um poder: o de atravancar um processo por mínimo que seja. Está aí seu poder. Aí soma-se àquele medo disfarçado uma surda prepotência. É a adolescência do cargo. Nela vê-se o funcionário a locomover-se como se rumasse a um distino certo, mas nunca encontrado; A juventude inteira do cargo ele passa a almiscarar essa sua imagem de poder, treinando os jeitos, endurecendo a coluna, petrificando os hábitos e sobretudo aprendendo a nunca fixar seu olhar no olhar de outro (nunca se sabe quando o manto pode cair). Tudo para chegar à maturidade com aquela máscara que hoje vi: aquele queixo já duro de medo, disfarçado por aquele nariz acinzentado de prepotência assentada, aquela testa rôta assombreando um rosto pálido e poeirento, filho de um lugar perfeitamente protegido entre as pedras, mas sem sol, sem calor, úmido e bolorento, guardando em veludo verde um morto à espera da morte.

23.9.09

There, there

Blue from Yildy Aktas on Vimeo.


Essa música linda que eu rouxe do Anything to forget everything me fez lembrar que:
- é difícil mas a gente tem que jogar aquele tanto de coisa fora e só deixar o essencial;
- eu amo mar mais que tudo e não posso ficar sem vê-lo por tanto tempo assim.

11.9.09

Belezura

Há muito tempo eu não via fotos tão magníficas.
No Dooce, graças ao Já matei por menos.