quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Lord knows it will be the first time

Desde pequena eu "sofro" de uma peculiaridade. E ela é tão traiçoeira que parece linda. Mas esse é exatamente o artifício dela, um eufemismo que esconde a metáfora de si mesma.

É que eu tenho uma imaginação por demais fértil. O que não seria mal, se não se adicionasse a ela uma expectativa excessivamente positiva.

Das minhas memórias mais antigas, lembro de estar de mãos dadas com a minha avó, caminhando ao longo de uma avenida e pegando, aqui e ali, embalagens de picolé no chão. E a cada embalagem, uma esperança, seguida de uma decepção e de outra esperança e assim sucessivamente.

Começa como miragem: eu vejo a coisa ao longe e sempre, sempre imagino a coisa mais linda. Aquele brilho prateado lá do outro lado da calçada, visto daqui, só pode ser um lindo pingente que eu - que sorte - vou pendurar naquele colar e que vai ficar lindo. E termina sempre comigo perdendo a esperança no último passo até aquilo, percebendo só naquele último instante que era apenas um papel de bala.

E isso se repete pela minha vida inteira, como um castigo grego.

Mais recentemente, inclusive, percebi que faço isso com quase tudo, em quase todas as coisas da vida. Os desejos, as relações, os sonhos, os projetos. Mas como num castigo grego, eu nunca aprendo. E hoje eu fiz isso, de novo. E nessas horas dá uma vontade enorme de não dormir, pra não ter que acordar e ter esquecido, e o castigo acontecer de novo e de novo.

Eu queria acertar, nem que fosse uma vez.

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