quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Assento

Das coisas que eu sempre achei das mais tristes são aquelas pessoas que ficam nas esquinas consertando cadeiras, aquelas cadeiras cujos encosto e assento são trançados. Não sei, me lembra sempre uma Penélope tecendo um fio sem fim, vestido de esperança mas feito de dor, só de dor. Daquela dor feita de espera e de paciência. Sempre é uma pessoa sozinha, tecendo uma cadeira...
E aí que hoje, gente, tanto tempo depois, eu vi uma pessoa na esquina tecendo cadeiras... e eu me lembrei do quanto eu achava isso triste, e hoje mais do que nunca, tempos tais que até juntos (ou quanto mais juntos) mais sozinhos nos sentimos. Naquela esquina, hoje, eu quase posso garantir ter visto a pessoa mais sozinha do mundo, a mais esquecida, mexendo num passado tão antigo, tentando recuperar, vendendo sua capacidade de recuperar...mas recuperar o quê meu Deus?
Quem hoje conserta cadeira?

5 comentários:

Leila DizNi disse...

to te entendendo demais... sempre senti isso com os vendedores de mapas.

enquanto dá disse...

Outro! Lembrei do filme "O fim do sem fim"... triste, triste

Halem Souza disse...

Vendedores de porta em porta (que comercializam qualquer produto) sempre me dão uma grande (e horrível) sensação de pena... Tem um desses "consertadores" numa via que corta a Rua da Bahia, antes de chegar na Av. do Contorno. É muito triste mesmo.

Mas, mudando de assunto, visitei o Zoomi. Que coisa bacana!

Um abraço!

Anônimo disse...

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