domingo, 13 de outubro de 2013

Reflefando ou desabatindo = volte ao começo

Eu tenho me sentido num bombardeio de fórmulas. Como ser magro, sério, contente, sóbrio, bêbado, feliz, bem relacionado, bom amante, audaz, comedido, valente, inovador, cético, crente, esperançoso, bem informado, criativo, saudável e... bom pai e mãe.

Mas depois de muito ler também percebi uma coisa: realmente pra tudo existe um viés cultural. Não, um viés sócio-econômico-cultural. Existe uma esfera social que prega uma cultura e você é tentado a pensar que a cultura é pra todos, mas aí é que está o erro: a cultura É social, É econômica.

Dessa maneira, caso eu queira ser 100% pró alimentação orgânica eu tenho que bancar essa escolha. E pra bancá-la eu não preciso só ter como pagá-la, eu preciso viver de forma que isso aconteça fazendo parte da minha vida. Ou seja, eu preciso ser funcional COM essa realidade.
E ISSO não é escolha.

Daí então, que me veio esse desabafo, ainda não totalmente esmiuçado como um raciocínio lógico. Mas que me veio com a clareza do sentir, que parece sentimental, mas é o produto final de uma equação baseada na mais pura regra dos 9 que há: a realidade de cada dia, um após o outro, de quase meio século de vida.

"Eu to lendo isso tudo e muito muito do que vem sendo postado em outros assuntos e me sinto ainda mais sozinha. Porque eu vivo num contexto mega complexo. Eu trabalho muito, eu não tenho empregada, tenho um marido, tenho pais idosos, sou voluntária em causas humanitárias, além de estudar e viver o meu caminho de vida e conhecimento, que VIXE, não está nem no meio. E eu não faço isso tudo nem por prazer somente, nem tão somente por escolha. E eu ainda me acho privilegiada, porque eu não tenho 6 filhos, nem pego dois ônibus pra trabalhar 12h. E aí eu estou aqui pensando que muitas das ações requerem um tempo gigantesco de estudo, de reflexão e de ação. Sim, o filho é mega importante. Sim, temos que nos debruçar sobre tudo que o circunda. Mas tô aqui me perguntando se realmente tem como - "tem como" aí não como metáfora de "sim, é possível desde que você queira", mas como verdadeira pergunta - eu conseguir agir minimamente com dignidade e respeito, dentro de uma vida de um sujeito médio, bem médio. Um sujeito que sim, foi criado errado, e que herdou não só a ignorância, mas os grilhões de seus pais. Muitas e muitas vezes ao ler aqui os depoimentos me pego a pensar, confesso, desesperançada, se tem mesmo um meio, em que ciência for, de ser-se maior do que se é. Digo, nesta vida, ainda. Se tem como acertar, sem ter nem como ler tudo, saber tudo, o tempo todo em que temos que agir. Vejam, não to caçando desculpa pra ser tosca. Mas tem hora que eu acho que tem muita forma de apertar uma porca e um parafuso e eu to lendo milhões de coisas sobre isso sem nem nunca ter visto uma porca e um parafuso. Eu to lendo o verbo TRANSMUTAR e sincero, to aqui pensando se algum dia eu já fiz isso em alguma coisa da minha vida. E eu não sei o que é isso. Enfim, to reflefando ou desabatindo. Sei lá."
Sim, tem coisas simples que demoram a se sedimentar, pra só depois surgir o entendimento. Não há como perseguir aquilo cujo próprio significado é desconhecido, justamente porque nunca o vimos.


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