sábado, 21 de setembro de 2013

Departure

Tem um sonho que tem se repetido muito recentemente.
Nunca em toda minha vida eu quis tanto um jardim, uma área que seja, com um pouco de terra, onde bata sol. Um espaço com terra, verde e sol.
Então, eu tenho sonhado que estou em minha casa – que varia um pouco em cada sonho – e em algum momento, eu ou vou procurar ou por acaso encontro um corredor e uma porta, que eu não tinha visto que existia e que leva a um jardim.

Hoje sonhei de novo: eu caminhava pela minha própria casa e descobria um corredor e uma porta, que leva a outro e outro e... ao jardim e ao sol. Primeiro vi um espaço fechado, com uma rampa muito íngreme que primeiro me desanimou, mas depois me deixou aliviada: “ainda bem que é íngreme, assim, meu filho não cai lá embaixo”. Aí continuei andando, achei um espaço pequeno, claro, não completamente solar, mas claro, com um pedaço de terra. Era a primeira opção.

Continuei andando e saí no que parecia uma área comum do meu prédio. Essa sim, grande, descuidada, com entulhos aqui e ali. Mas esse aparente abandono não me desanimava, pelo contrário, eu imaginava o que faria em cada canto, em cada espaço. Aí a síndica apareceu e foi logo me dizendo “Esse espaço não é seu, é do prédio”. No que eu respondi: “Mas eu não quero ele pra mim, eu quero construí-lo para estar nele, somente. E se ele é de mais gente, melhor ainda, todos poderão ajudar.”

E assim construo em mim, enquanto aqui fora aguarda.

Série "Em busca da delicadeza" - Anita Lima

p.s. Não sei o porquê do título, mas quando ele vem, eu não discuto.

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