quinta-feira, 23 de maio de 2013

Só o olhar que melhora

Só sei os seguintes, que, confesso, demorei muito em aprender - aprender de sentir, de compreender de estafa, da vida malhando o ferro do tempo em minha nuca - :
-Tem uns desassossegos que não nos pertencem, a gente erra, se apega neles. A vida tenta mostrar o erro, dá-nos o vento, a chance de se libertar e a gente, burro, se apega nos desassossegos pro vento não carregar.
- Pois esses desassossegos não valem o sono, não valem a vida e não tem dinheiro que os pague.

Sartre estava muito certo, o inferno são os outros. Mas Ítalo Calvino também está:
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço"

De minha parte sobra o pouco, a miudeza de moedas no chão.
Mas esse pouco sujo é sobejado do que, descobri, me é mais caro: a minha paz, o meu não-inferno.

Dá pra um pão, um café. Um pão e um café de paz.

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