quinta-feira, 21 de junho de 2012

Se eu pudesse traduzir o momento

Foto: Comunicadores

Eu achei a gravidez o mais bizarro dos processos por que já passei na vida. E olha que eu tenho uma longa estrada pela terapia. O mais animal dos acontecimentos me aconteceu e eu me senti como passando por trinta mil tpms, em todos os sentidos que se pode imaginar (e se considerando que eu acho a tpm um processo bastante rico, apesar de dolorido).

 Então meu filho nasceu. A pouco tempo. E o que eu achava já um turbilhão, multiplicou-se. Como se isso fosse possível, nasci de novo estando ainda viva. Com toda a beleza e o peso que isso contém. Novamente, o início deslumbrante, fatal e imperdoável de cada ato cometido, de cada palavra dita. Fora de mim um pedaço meu torna-se, cada dia mais, um pedaço sem mim, mas passando por tudo que eu sou e posso ser. 

Tenho que me lembrar, de novo, daquele momento no filme Contato em que a personagem de Jodie Foster, ao depor sobre sua experiência com o extra-terreno e estando sem palavras, deixa escapar “deviam ter enviado um poeta”, mas para pedir que me socorra Fernando, Ana Cristina, Clarice e Baudelaire, mas que me socorra também Estamira, que me socorra meu pai e minha mãe, que me socorra minha gata: nunca, em toda minha vida estive assim tão perdida, tão pequena, tão grande, tão parte de tudo, tão ínfima por isso mesmo. E com tanto medo da morte, da vida e do que não sei.

 Assim deve ser viver, talvez.

Um comentário:

Lori disse...

Que coisa mais linda!! <3

Parabéns!!

:*****

Tudo de bom pra vcs!!!