sábado, 7 de abril de 2012

São segundos.
E como um flash, como um assovio de vento, como um deja vù, como um brilho que não sabemos se vimos realmente ou não, a gente sente. A vida é uma grande piada. 
Não adianta buscar a força, a lógica, a compreensão, o domínio, o controle.
Não adianta.
É realmente tomar a atitude certa, mas somente porque ela é a que nos faz sofrer e sentir menos: é relaxar, mesmo, quando o dentista vai fazer a força com seu instrumento pra descolar o dente. Ele vai arrancar aquilo que sempre esteve ali, e o fará com força, com sangue, com vontade e sem nenhuma dó. Porque é assim que tem que ser feito. E se você enrigecer o corpo, se segurar a respiração, vai doer mais.
Você correu muito para pegar o trem. Não precisava. Ele nunca ia chegar em lugar nenhum.
Você acreditou mesmo que havia um caminho e que ele oferecia alguma certeza. Mas não há certeza alguma, não há cenário. Não há árvore, não há caminho, não há nada. Tudo que está ali, gravita assim, em torno de nada também.

You ask me to enter, but then you make me crawl
And I can't keep holding on to what you got
When all you got is hurt.
One love, one blood
One life you got to do what you should.
One life with each other: sisters, brothers.
One life, but we're not the same.

Deitar, deixar-se esticar, mover, ser empurrado, arrastado, flexionado, molhado, comido e levado.
A luta só faz a risada ser maior, mais gutural, mais duradoura.
O baralho marcado. O durex no balão, onde se vai espetar o alfinete, o saco cheio de papéis onde se está escrito o mesmo nome, a carta que já estava na mão, antes mesmo de se levantar a chuva de outras mil delas...
É um truque, um truque... Toda crença, todo o suspense, tudo só serviu ao espetáculo. 
Mas nunca foi sério, nunca houve a realidade por trás da promessa, nunca. 
Quando finalmente você desfia o novelo não há absolutamente nada nele, nada. Nada.
E aí você ri. Como foi tudo tão perspicaz , como foi tudo tão bem feito... como parecia tão real, tão possível.
Como fomos tão ingênuos, afinal, era um cenário, um cenário... e virão outros, e mais outros, mais bem pintados, mais bem pregados, mas ah... ôcos, como sempre foram. Como pudemos acreditar... como, como...
E não adianta lutar, nunca adiantou. Resistir torna o espetáculo ainda mais concorrido, longo, cheio de patrocinadores. 
Hei de nunca esquecer. Hei de me lembrar. Porque, querida, agora eu já sei. E prometo contaminar cada célula de mim, prometo me tatuar inteira, eu prometo. Quando você vier sorrir pela última vez, haverá, eu prometo, um pequeno, inexplicável e involuntário sorriso. Eu prometo. Você deverá ter o mesmo humor de sempre, mais revigorado, claro, sempre à frente, sempre profissional em se vestir e travestir, em se maquiar e em sorrir.
Vai-se ter me arrancado quase tudo, eu sei. Cada qual com seu papel, não é mesmo?
Mas há de lhe sobrar um sorriso, você vai ver. É uma promessa.
..........................
E essa versão de One consegue ser tão ou mais linda que a dos búfalos:


4 comentários:

Lori disse...

Rosi, eu não sei o q tá acontecendo, mas se vc estiver precisando de qqr coisa eu to por aqui. Manda um email.
:****

Lori disse...

Eu de novo, só pq eu esqueci de marcar a caixinha de acompanhar.

rOsI disse...

Queridissima, te mandei um e-mail mas já adianto: estamos de pé! :)

Lori disse...

Isso é o mais importante!


Precisando sentar é só dar um toque q se precisar eu te levo uma cadeira. ;)

:****