quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Educação de valor



Quando vamos ter um filho há muito que se fazer. Obviamente que há, já que é uma nova pessoa numa rotina de duas pessoas (no meu caso). Comumente, pensamos primeiramente nas coisas práticas: consultas, remédios, alimentação e também quarto, roupa, assessórios. Parece pouco, mas quando a gente debulha os itens, é coisa demais.

E surgem questões e dúvidas de tudo quanto é tipo. E surgem, em contraponto, todo tipo de gente a dar todo tipo de opinião. Pessoalmente eu sou contra regras, principalmente aquelas baseadas em nada além de tradicionalismo e preconceito. Tenho tudo contra a me ensinar “o que vestir, com quem andar e aonde ir”. E muito me espanta a quantidade enorme de gente que existe para nos ensinar o que comprar, de que cor, de que modelo, o que uma pessoa gorda deve ou não usar, o que é brega, o que não é, em detrimento das poucas que existem com quem debatemos como criar nossos filhos de um modo mais humano, mais consciente, mais inteligente e tolerante.

E aí que vem o que pra mim é o questionamento mais importante com relação aos filhos: que valores dar a eles. Mais do que a cor disso ou daquilo ou o valor da festa, ou a marca das coisas, se ter ou não uma babá, o que me preocupa (e com o que eu quero realmente me preocupar) é como educar essa nova pessoa para que ela seja um ser humano melhor.

De nada adianta um ser bem vestido, cheiroso e gordinho que trata com preconceito e diferenças as pessoas ao seu redor. De nada adianta um ser risonho, munido de parafernálias eletrônicas, que não sabe conviver em sociedade, respeitando o outro e todas as coisas que não são suas, porque, aliás, isso é tudo o que há: o nosso é e sempre será uma parcela mínima do que há no mundo, e o que há no mundo é de todos, para uso e benefício de todos.

Há que se ter muita parcimônia e, mais do que nunca, há que se escolher bem com que “fritar” a cabeça: um berço é só um berço, mas um livro, um tom de voz, uma atitude podem fazer toda diferença na educação dos filhos. E eu prefiro que ele se lembre, sempre, na vida, de acolher um animal sem lar e de tratar bem um trabalhador, um idoso ou um deficiente, do que da festa de aniversário imensa, ou do presente caro que ele ganhou, sem nunca saber o esforço necessário para adquirir ambos.

Coisas serão sempre coisas, e não é em cima delas que eu quero que meu filho se espelhe para medir se tem ou não uma vida boa. É um desafio e aprendizado de vida toda, para ele e para nós, mas pra mim é o único com que realmente acho que vale à pena me preocupar.

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