segunda-feira, 18 de abril de 2011

R.I.P my love, for now.

Naquelas lindas aulas, lá atrás, que ficaram no frio do Cruzeiro, aquilo sim é a pós mais linda que eu fiz e a mais amada que eu me recordo.

Todas as outras eu fiz porque o mercado pedia (ou queria). Aquela, eu achei que serviria para esse mesmo motivo, mas aquela...aquela era de amor. Falava, experimentava, dialogava sobre o que eu realmente gosto: design, desenho, arte, linguagem e experimentação. Falava ainda de semiótica, a coisa mais linda que eu aprendi, junto com as teorias da comunicação. Junto com a fotografia e o cinema. Meus amados, meus amores, meus melhores e maiores amantes até a minha morte. Junto com a filosofia, com quem eu infelizmente só ficava, nunca namorava. Amava, eu, Julieta, todos eles, os meus Romeus. Até hoje, fomos jovens e enebriados de amor. Meus primeiros e mais lindos orgasmos de amor. Foram nas letras, no desenho e no cinema que eu primeiro me apaixonei. Fui contaminada de morte por eles, com eles sei que vou morrer. Nunca pessoa nenhuma, acontecimento algum foi maior que o primeiro entendimento entre uma palavra e o significado dela, o sujeito difuso e o predicado incerto, o sentido sentido numa imagem muda.

Nasci canhota. Mas, meu pai tanto explicou que aquela "era a mão do gato" que eu a troquei pela direita. Mas o amor já estava lá, já me comia por dentro. Não adiantou trocar a roca, a porta nem a fechadura.

Casei-me com a minha formação, de bem querer. De branco virgem. E amei cada segundo.
Mas nossos pais eram de nomes diferentes... Para sempre teria eu amado meus amantes, não fosse o esforço permanente, calado e quieto dos nossos progenitores em nos separar. Não somos mais ingênuos, nem eu nem meus amores. O tempo nunca nos perdoa.

Tive a ilusão de que viveria de amor, de amar a vida feita de amor, no amor construída. Tinha a ilusão de que conseguiria, eu e o amor. Mas um humano nunca foi um deus. Eu nunca fui. Sonhei um sonho de deuses. Mas acordei o pagão que nasci. Um pagão com sonho de deus, só o sonho de deus...

Então, se hoje me despeço, meus amores, não é por falta de amor a vocês, mas por fraqueza. Fraqueza minha, porque vocês permancem lindos, tal como no primeiro baile. Não hei de amar mais ninguém,não apenas porque de mim foram tirados os meus amantes, mas sim o amor. O amor que é a minha única forma de existir, mas que infelizmente, não é o que me faz estar viva. O que me mantém em pé é a carne. O sapato. O teto. A pasta de dente. Não tenho nem a força nem a coragem para viver com vocês, mas sem orelha. Eu sou pequena e minha orelha é bem maior que o meu talento.

Por vocês, de vocês é que morrerei, é que começo a morrer. Para que a carne viva quente, para que a boca cheire a menta. E de hoje em diante, eu só comerei, me fartarei e defecarei. Porque o amor foi morto, morreu pelo veneno da vida, pela faca do tempo. O nosso amor não é possível em nossas vidas.

Descanse em paz, meu amor. Um dia, hei de novamente me juntar a ti. Serei digna e forte, serei da mesma matéria que meus amores. Hemos de viver em comunhão muito mais que a vida, a eternidade.

4 comentários:

Lori disse...

"Não tenho nem a força nem a coragem para viver com vocês, mas sem orelha."

Meu dilema eterno... Teto e orelha ou amor?

enquanto dá disse...

Pois é. Eu sou das que acha que ou você faz rock ou toca numa banda. não tem como ser os dois. é a moral que a ressaca está me dando.

Clarice disse...

dessa vez, mandaram a poeta! ;-)

Escafandrista disse...

Do jeito que você fala, até parece que virou funcionária pública.