domingo, 19 de dezembro de 2010

Quem disse que era hora?

Hoje fiquei sabendo que um vizinho perdeu sua mãe, há poucos dias atrás. Esse vizinho é daqueles, infelizmente poucos, dos quais a gente gosta desde sempre. A primeira vez que nos vimos já estava lá, aquele sorriso tímido, mas aberto. Muito educado, só hoje veio dar a notícia, ele chegando eu indo.

É impressionante como não sabemos nunca o que dizer. Impressionante como damos um abraço que é sempre esperado, talvez por também saber o outro, que muito pouco há que se dizer.

Não teve jeito, a dor dele ficou um pouco comigo. E lá fui eu encontrar meus pais, para passar o domingo. E aquela dor, com pesar e com alívio, fez desse domingo com meus pais talvez mais intenso. Nada houve de diferente do que sempre fazemos. Mas de certa forma, eu vivi mais, olhei mais, conservei o mais que pude os momentos que pude.

Sinto muito por isso, meu vizinho. A ausência que te dói e que doeu um pouco em mim, me fez mais presente hoje. Sinto muito. Mas se há algo que eu posso lhe dar, mesmo muito longincuamente reconfortante, é a vida que ainda há. E eu a celebrei hoje, muito mais, por sua causa. Foi o máximo que pude fazer pela vida.

Não há hora boa de partir.
Meus sinceros sentimentos.

Boa Hora
Fino Coletivo (Composição: Alvinho Lancellotti e Domenico Lancellotti)

Olha só quem vem aí
Antes de chagar o dia
Pensamento vem e traz
Quem partiu e não devia
Quem te disse que era hora de partir
Hora boa é sempre hora de voltar
De partir é sempre hora vem pra cá
Já perdi noção da hora de esperar
Levou meu coração
E botou dentro da mala
Pesou na sua mão
E sobrou na sua sala
Já perdi toda alegria
E perdi noção da hora
Você disse que viria
E eu digo que demor
a

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