quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Todos matam

Porque, no fim, importa não o sentido que imponho aqui, e sim o quanto dele chega em seus olhos.

Pois é, não senhor, Sr.M.
Você diz, mas não quer pra si a responsabilidade da faca que mata e que está na mão do senhor também.
Mas entenda, às vezes a gente não mata, a gente faz o que deve ser feito, na vida que é VER que tem coisas mortas, JÁ mortas; coisas que ficam, zumbis, a responder apenas às nossas vontades pessoais, porque por si, elas já não falam nada, não se relacionam conosco, no universo vivo, onde os vivos estão.
Morremos, passamos pela morte diária, seria uma ingenuidade não ver a mais natural das mortes, a passagens das estações. Chove, as folhas caem, brotam os frutos.
A morte faz parte da vida, aliás, sem a morte não há vida.
Mas mais importante que vê-la da janela é admitir que nós lavamos nossas células, nós varremos as folhas, nós substituímos velhos sapatos, esses, às vezes, pela moda e nem até porque não nos sirvam mais...
Nosso cotidiano varado pela neuro linguística burra dos livros de auto-ajuda, pela culpa cristã e pela hipocrisia nos fala de uma vida sem morte, ou com a morte apenas na ficção. E tenta, no maior e mais ledo engano nos fazer de Peter Pan, que à força de tanto olhar, com os olhos do seu desejo e não da realidade, transforma papa gosmenta e sem cor, no mais delicioso confeito. Mas está lá, na minha, na sua, na mão de todos a faca que corta, sutil ou violentamente, todo dia aquilo que NÃO LHE CABE. Há os que admitem, vivem o luto daquilo que mataram. Há os que chamam de poda, há os que ignoram, chamando de casualidade ou destino, como se não tivessem, por anos, colocado gotas de veneno nos pratos alheios.
Matar, dizer não, impedir que nos envenenem é vida. Apesar de os folhetins pregarem o contrário. Sustentar o que nos oprime, amar sem ser amado, estar firme às pedras pode não se chamar sempre coragem ou benevolência. Diante de todas as águas do mar, estão as rochas, com suas durezas a encará-los dizendo-se mais fortes. Talvez quem sabe, descrentes, que estão morrendo aos grãos, que o mar lhes tira a milhares de anos...

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