domingo, 20 de dezembro de 2009

Comemorando


E aí começam a soprar os ventos do Natal e a gente se vê, pela enésima vez, oprimido por aquele constrangimento do cartão de natal.
Não sei você, mas tenho achado que ter esperança e amor no coração hoje em dia é so last season que até dói.
E nem é, digamos, fruto de uma situação de vida ruim, não. A vida tá boa, mas o resto está carecendo demais de qualidade.
São os dilemas, né.
Porque estou exatamente naquele meio da vida em que falta boas referências, sabe? Faltam bons modelos, faltam arquétipos.
Digo assim, de verdade, gente, qual é o mirabolante e estimulante futuro? Casar de noiva e ter filhos? Planejar a melhor escola deles e o que? Minha lipoaspiração? Um quintal para ter um cachorro que vai enchê-lo de cocô? Ou isso ou morrer de trabalhar pra ganhar liquidificador no sorteio da firma?
Sério?
Não, não foi isso que estava desfocado no meu horizonte dos vinte anos.
Mas o que foi? O que estava, por Tutatis, no meu futuro que agora que chego não está mais, não o consigo distinguir e encontrar?
Deus me livre, será mesmo que não resta mais nem um sonho, nem um limite pessoal a ser ultrapassado além de procriar e o que? Esperar a morte chegar enquanto a grama cresce?
É isso? Tantos anos de terapia buscando a normalidade e a normalidade é isso? Crescer e multiplicar e ter uma garagem coberta? É esse o estágio saudável de vida? É esse buraco negro que consome todos os sonhos e todas as esperanças de fazer a diferença, de viver algo novo, de realmente ter flaneur na vida?
Sinceramente, essa é a fronteira da normalidade?
Olha se for, e ainda der tempo, eu quero meu dinheiro de volta.

FELIZ NATAL

7 comentários:

Russa Malvada disse...

mas se a vida tá boa, que importa o resto?

Russa Malvada disse...

ps.: talvez falta a gente aprender a sonhar sincero. isséqué difícil...

enquanto dá disse...

A gente vive no meio do resto...

Kenji disse...

vai melhorar

Russa Malvada disse...

ou não... hehehe

Kenji disse...

fatalismo é para os fracos ;-)

enquanto dá disse...

Só sei que a cada dia que passa eu tenho mais pavor do futuro e o pior, é que eu tenho certeza de que ele não tem freio.