terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sobre as apologias à preservação animal

Confesso que eu fico nervosa quando discuto com defensores ferrenhos dos direitos dos animais. Sempre que essa discussão aparece, lembro de uma campanha publicitária antiga ( que inflizmente não encontrei) que tinha como slogan "GENTE TAMBÉM É BICHO". Isso me vem à mente justamente porque custa a me descer na garganta que se tenha que preservar uma única andorinha azul dos campos de Yorkshire, enquanto centenas de crianças aleijadas pela poluição arrasadora são abandonadas pelos pais na China.
Claro, eu tenho calafrios de morte quando vejo uma pessoa gastar cem reais em ração e não doar um centavo que seja para nenhuma creche, organização ou mais simples, remunerar decentemente a empregada, o motorista, a manicure...
Aí um colega meu de Pós, disse uma coisa sábia: "a gente tem que lutar por tudo ao mesmo tempo, pois todo mundo corre perigo.."
É de cortar o coração ver um bichinho perdido? É. Mas eu acho infinitamente pior e cortante ao coração ver uma criança aleijada, cancerosa, suja, faminta, triste e órfã. Porque o bicho pode até sentir, mas a criança sabe, ela é um ser humano que foi abandonado por um semelhante. E isso é aterrador, se pensarmos que a consciência, maior até que o instinto animal, busca a autopreservação e a preservação do bem comum, embasado por diretrizes sejam religiosas, de moral e de ética.
É uma pena imensa que várias espécies estejam perdidas? Com certeza. Mas inclusive por isso, para evitar que os homens continuem dizimando a tudo e a todos que se faz necessário, mais do que nunca, a ajuda comunitária, o olhar compreensivo aos seres humanos em situação de horroroza penúria pelo mundo.
Então, sorry, eu acho o fim tratar bicho com luxo, como filho, como parente, como gente. Eu acho o fim maior ainda, tratar gente como bicho, achando simples e normal que ele defeque onde se deita, como os animais, que durma e more nas ruas como os animais. Eu não acho que o homem é um ser imune à regra máxima da natureza, que é a evolução, a substituição e a morte. Ele é como a árvore, no ciclo da vida. Mas hoje é sem dúvida, a espécie que mais corre o risco de extinção. Seja pela péssima qualidade de vida, seja pelo péssimo hábito de excluir de si mesmo a responsabilidade sobre seus atos no mundo e perante seus semelhantes.


Veja o conjunto das fotos.

3 comentários:

Halem Souza disse...

Eu também tenho dificuldade pra levar a sério muito do que falam e escrevem os defensores dos direitos dos animais. Reconheço que é perfeitamente legítimo o trabalho e a luta que essas pessoas travam, mas penso nessa série de argumentos que você coloca aqui e fico mais aliviado nas minhas convicções de sujeito "ecologicamente incorreto" ( e não estou dizendo que você seja)

Coincidentemente, hoje, vi um psicólogo- que também é adestrador de animais -, num programa da TV Minas falando justamente da inadequação que é tratar animais domésticos e/ou de estimação como se fossem membros da família.

Um abraço.

enquanto dá disse...

Rapaz, só de um cara culto como tu aceitar a discussão da coisa, já acho um alivio também. Abraços!

Kenji disse...

quem defende os direitos dos animais pode estar justamente se apoiando no livre arbítrio que os humanos têm.

é a igual faz a nossa justiça. a gente não condena gente doida a cumprir pena pq ele não responde pelos seus atos. Mas como ele sofre, nossa noção de humanidade nos leva a querer ajudar essa pessoa. Ela não tem culpa.

da mesma forma, eu penso que os defensores dos animais pensem desta forma. Como os animais podem sofrer, e não gozam de consciência, a noçao de humanidade os leva a querer ajudar os animais, pois não há quem o faça.

eu admiro essa noção de humanidade que se extende aos outros seres vivos, pq eu acho que o homem faz parte de um ecossistema que ele precisa aprender a respeitar se quiser sobreviver.

priorizar as crianças sobre os animais? talvez quem defenda os animais pense que já tem muita gente defendendo as crianças e poucas defendendo os animais.

Talvez eles achem que o ser humano já é priorizado, e podem estar certos. A UNICEF é maior que o Greenpeace.