quarta-feira, 5 de agosto de 2009

É, começo a acreditar que o mundo conspira, em menos de uma hora dois textos muito coincidentes com o tempo:

Do Pensamento Raro que tirou do Gustavo Bernardo:
"O exílio pode ser um acontecimento terrível ou um fenômeno positivo, quando se entende migrar como revolta contra as condições dadas e, ao mesmo tempo, como engajamento na promoção de transformações. O suposto enraizamento do homem é na verdade um mito, pois na prática não temos raízes, mas pernas. A dignidade humana reside na liberdade de permanecer estrangeiro, de permanecer um outro dos outros.

E da Fernanda Young:
Aos que não nos enxergam

Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.

Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.
Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.

Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?

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