sexta-feira, 24 de julho de 2009

Acabei de assisir a refilmagem de "O dia em que a terra parou". Entre outras coisas, o filme prova que o tema da conscientização sobre a vida e o ambiente em que estamos continua bem atual. Mas são pouco exploradas (ou o é feito muito sutilmente) questões como tolerância, bondade, respeito e amor. Claro, tudo isso com aquele padrão americano de se falar das coisas de modo superficial e pouco comprometido.
SPOILER Á FRENTE, o filme se resume numa coisa muito simples: o extra-terrestre não destrói a terra porque vê "outro lado" nos seres humanos, que estavam à beira de serem exterminados por causa do modo violento, inconsequente e desrespeitador como tratam a terra e a si mesmos.
Então ele não mata todo mundo por que existe algo neles que faz com que merreçam uma nova chance de evoluírem. Ele, ao contrário do Deus no antigo Testamento, achou 10 justos. Achou um outro lado.
Talvez há quase 60 anos atrás (quando o filme foi lançado originalmente) a mensagem deva ter sido animadora. Quer dizer, o mundo tinha jeito. Hoje, ao acabar de ver o filme,eu não tenho a menor dúvida que deixaria tudo ser comido pelo cupim ET. E pelo motivo mais triste: ainda há bons, mas há outros com o lado bom tão, mas tão escondido (ou morto)que a existência deles torna a vida tão difícil como se só houvessem maus.
O que me leva à outra discussão. Em certo sentido, a crença, nem mesmo a factualidade, desse lado bom é hoje o que permite a convivência, ou melhor, é o único fio possível que permite algumas relações. Mas a questão não é nem essa ainda. A questão é por que isso acontece. O que me faz perguntar:
Será que a existência, ou a crença nesse lado bom são motivos que justifiquem essa tolerância? Será que a crença nesse lado bom justifica que tenhamos relações de qualidade tão discutível? Será que a paciência, junto a essa crença, tem mesmo que ser infinita? Será que essa crença tem mesmo que superar a paciência, a dignidade e o bem estar?
Não seria natural que nossas relações evoluíssem com a nossa evolução?
Não seria natural que abandonássemos sem culpa, de vez, aquilo que ao contrário de serem apenas contrapontos naturais e necessários à evolução,tornam-se pedras que atravancam o caminho, impedindo o acesso ao bem que todos merecemos?
Ou seriam essas realações a fronteira final para a vida e o ser que precisamos nos tornar? O que são os outros, realmente, e o que são as visões que temos deles?
Klaatu espera até o despenhadeiro "quando a mudança acontece".
E eu acho que o único motivo disso é que ele não era deste planeta.

Um comentário:

Clarice disse...

so sad, and so true.

acho q a gente não abandona essas relações pq ainda não conseguimos viver absolutamente sozinhos. :-(