quinta-feira, 18 de setembro de 2008

This Is Charley

No filme Tempo de matar existe uma defesa jurídica que eu acho fenomenal: para tentar provar a inocência de um pai que matou o assassino de sua filha, ambos negros, em pleno estado sulista dos Estados Unidos, onde o racismo é tão natural como suar, o advogado interpretado por Matthew McConaughey começa a contar o caso do estupro da sua própria filha. Pede que os jurados imaginem a cena, pede que eles se aproximem da criança, vejam os agressores com os olhos dela, pede que eles testemunhem a violência a que ela foi submetida, em todos os detalhes. E quando todos estão sentindo toda a revolta, a impotência, quando os rostos de todos os jurados estão turvados de dor, misericórdia e revolta ele pede que os jurados apenas troquem a cor da pele daquela criança.
O que eu acho mais fantástico nessa defesa é que há um deslocamento da atenção do objeto para a causa, para o sentido do que se quer buscar. Com a história do filme foi possível passar uma mensagem talvez até mais profunda que a vitória do bem sobre o mal, como fala o próprio personagem de Matthew McConaughey:

"Que parte nossa busca a verdade? Nossa mente ou nosso coração? Eu quis provar que um negro podia ser julgado com justiça no sul... que somos todos iguais aos olhos da lei. Não é verdade, porque os olhos da lei são humanos. Os de vocês e os meus. E até podermos nos ver como iguais, a Justiça nunca será imparcial. Ela continuará sendo um reflexo de nossos preconceitos. Até lá, temos o dever, perante Deus, de buscar a verdade. Não com nossos olhos, com nossas mentes, porque o medo e o ódio fazem surgir o preconceito do convívio, mas com nossos corações, onde a razão não manda"...


Bom, para um fim parecido, pois eu acho que a mensagem supera em muito a circunstância em questão, eu peço, assistam o vídeo abaixo.



Agora troquem o gato por uma pessoa com uma dificuldade ou deficiência qualquer.

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