segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Cinema bom e de qualidade



---BATMAN: THE DARK KNIGHT---
Gostei. Mas esperava mais. Para mim, Batman nasceu de verdade depois do Begins. Que ninguém me entenda mal, eu acho o Tim Burton genial, mas eu prefiro o Batman soturno, com menos humor. Fora que de todos os Batmans ninguém supera o Christian Bale. Oquei, oquei, aquela voz de reverb dele é o fim, mas ele continua sendo O Batman pra mim. Fora que ele está grande, de terno, enfim é muita fantasia, gente, muita. Tanta que eu meio que perdi umas partes. Ou não e o filme é longo mesmo, meio perdido mesmo.

E o Coringa? Está ótimo, aquele sestro horroroso de passar a língua na boca fez um Coringa ainda mais patético e tudo o mais. Mas para mim o que deixou o personagem realmente sombrio foi que Heath Ledger estava morto. E isso tinha tudo a ver com o Coringa, na história, um semi ressurgido de uma quase vida, sem passado, sem família, sem face. Arrisco a dizer que esse é o verdadeiro peso que o personagem ganhou.


---MEU NOME NÃO É JOHNNY---
Eu acho que basta, sabem? O Selton Melo é um dos melhores atores até hoje. Claro que a fotografia e a maquiagem do filme são maravilhosas (detalhe para a iluminação do ator quando ele está na cadeia), que a direção de arte é perfeita e que o elenco deve ter sido escolhido a dedo, pois é tudo muito amarrado. Mas o João Estrela (fotos ao lado) é o Selton.
Agora é marcante a forma simples, quase ingênua como a estória é conduzida, mostrando igualmente a quase casualidade como tudo aconteceu. Porque João tinha tudo para ser mais um profissional liberal da classe média carioca. Mas ao contrário, experimentou o alge da riqueza e do sofrimento como poucos conseguem sequer imaginar. Mas apesar disso, (a dona pulga ainda está aqui cutucando) ainda me soa muito irônica a última frase, depois do fim do filme, de autoria da juíza Marilena Soares, que atuou no caso:
"Ele (João Estrella)é a prova viva de que é viável recuperar as pessoas. É o atestado de que nossa luta não é em vão"

Tal qual no filme, eu ainda acho bastante ingênuo que as coisas se dêem com a naturalidade de pessoas tidas como simplesmente despreparadas. Há mais coisas por trás disso. O próprio filme ensaia um argumento parecido quando mostra o pai de João levando o filho à trabalhar para conseguir comprar a prancha de surf que ele queria. A própria vida nos mostra algo diferente, quando sabemos por exemplo, que alguns dos pais dos jovens que agrediram a doméstica Sirlei Dias são pessoas com poder aquisitivo considerável, que com certeza pagaram pela educação de seus filhos, mas que ganhavam a vida como quaisquer outros. Tem que haver uma brecha além do puro acaso. Tem que a ver algo que justifique a atitude de transgressão do limite, principalmente de algo claramente identificado como crime.
Mas enfim, é um filme ótimo, e (quase esqueci) com uma trilha sonora deliciosa.
Para quem quiser saber ainda mais sobre o caso, indico a reportagem do Estadão sobre o filme, aqui.
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Um comentário:

Kenji disse...

a moda ultimamente tem sido encontrar explicações genéticas, tipo o gene da homossexualidade, o gene da fé, não me surpreenderia gente buscando o gene do crime

;-)

com ou sem gene, se a justiça fosse cega e dura (dura lex sed lex)... mas ela costuma espiar por baixo daquela venda qu ela usa, e isso fode tudo...

e eu curti o curinga passando a língua o tempo todo na boca, como se o corte estivesse eternamente coçando ;-)