quarta-feira, 9 de abril de 2008

Guardiões do dia (Daywatch - 2007)

(Omni, se você passar por aqui, eu gostaria muito de te indicar esse filme, acho que tem a ver com os filmes que você costuma comentar)

"Filmado na Moscou contemporânea, a história desenvolve-se em torno de uma batalha gerada pelo fim de uma trégua medieval entre as forças da luz e da escuridão."

Esse é um trecho da sinopse de Guardiões do dia. Você lê isso e pensa: mais um filme de aventuras com tema mais que desgastado, certo? Errado. E por muitos motivos. Primeiro, porque é absolutamente fantástico visualmente. E não falo só de fotografia, mas dos efeitos visuais, da direção de arte e também do design. Até a apresentação da ficha técnica do filme é maravilhosa. Segundo, porque a história é muito boa. Mesmo cheirando a deja vu. Terceiro, porque além de tudo isso, é um filme com pitadas de humor inteligente, com diálogos curtos mas deliciosos e com liberdade para o absurdo. Absurdo no tema, na história, nas tomadas, nas sacadas, nas soluções no visual e no roteiro. E por último, porque é russo. E, pelo menos pra mim, é totalmente novo ver um filme russo completamente integrado com a estética do cinema comercial atual e com tamanha gama de qualidades (atenção no protagonista!!! Principalmente sem peruca). Segundo o site Adoro cinema, "Foi o 1º filme lançado na Rússia pós-comunismo que ultrapassou a marca de US$ 30 milhões arrecadados nos cinemas locais".



Infelizmente, o cartaz não faz jus à estranhesa do filme. E justamente isso é uma das características que mais me chamam a atenção nas produções européias. Aquele clima "ancient", saturado, tão explorado por Jean Pierre Jeneut e Peter Greenway. E é isso também que ajuda a construir o clima do filme e sua estética, contrapondo o kitsh do velho mundo e a assepcia moderna do futuro. O conjunto final no entanto é simples, despretensioso e livre.




:: enquanto procurava, achei: Root art

4 comentários:

Lúcio disse...

Aí, gostei da exaltação à estranheza do filme (se você comparou com as coisas do Greenway então deve ser estranho *mesmo* :) - filmes estronhos são comigo mesmo, então vou dar uma conferida. Valeu pela dica!

enquanto dá disse...

Na verdade, Lúcio, a estranhesa em Daywatch é mais singela que nos filmes dop Peter Greenway. Mas aquele estranhamento "entre" as pessoas, como se todos estivessem agando na lua, tem em ambos. Depois você me fala se gostou!

Pacha Urbano disse...

Este filme entrou na lista dos meus favoritos do gênero por trazer uma mitologia própria. É muito legal imaginar o que fica por dizer e não se diz, por não explicar nada, por deixar no ar como as coisas funcionam. É muito bacana mesmo. Aliás, já saiu o número dois. Assisti e gostei bastante. Segue a mesma linha e dá continuidade ao drama da mocinha sem sorte.

enquanto dá disse...

Verdade!! Ele tem uma mitologia própria! Fora que eu acho fabuloso também a tal da coisa que você disse sobre o não dito: aquela cena do banheiro que depois vira uma cachoeira é espetacular!