segunda-feira, 9 de julho de 2007



Meu último pensamento sobre a vida o universo e tudo mais, reúne duas coisas que a princípio não tem nada a ver. Pergunto se é possível uma comparação entre nossos processos e o que Michelangelo fez com suas obras, ou seja, o que ele ia esculpir já estava lá, ele só tirou o que não o compunha. Porque a dificuldade no mundo advém de uma coisa simples: eu sou um indivíduo muito legal e você também é. Podemos ser legais e sem limites até a morte. Porém, se a gente cisma de se encontrar tudo vira uma confusão infernal.

Científicamente, ou melhor, biológicamente e pisicologicamente, o homem nasce mau. É preciso portanto adestrá-lo ao convívio social. Porém há que se entender que essa maldade refere-se mais à sua animalidade do que a sua incapacidade de amar. Então, a gente precisa aprender ao mesmo tempo a não morder e que não se deve morder. São duas coisas que parecem as mesmas, mas que são diferentes. O conceito do dever muitas vezes passa por seáras que por mais que chamemos éticas ou morais são geralmente metafísicas. Por exemplo - ou eu muito erro - não se deve matar porque dói. Sim,por mais inocente que isso pareça, matar causa dor. Dor das mais variadas espécies. Dores de alma inclusive.

Hoje então uma das coisas mais difíceis para mim é aprender a aceitar as coisas. Porque nem entender, nem compreender é aceitar. Mas o que é aceitar? Sempre quando as coisas me confundem tento buscar o signo:

do Lat. acceptare
v. tr.,
receber o que se dá ou oferece;
receber com agrado;
admitir;
aprovar;
reconhecer;
incumbir-se de;
Com.,
assumir a obrigação de pagar uma letra de câmbio no dia do seu vencimento, subscrevendo o aceite com a assinatura.


Então, aceitar é admitir e aprovar.Por isso aceitar é difícil. Só que para exercer a paciência e a tolerância, tempos que aceitar e não só entender.
Aceitar então, faz parte do aprendizado que chamei metafísico. Faz parte do aprendizado da alma. E quando digo alma, o faço pensando quase sempre no amor. O amor que temos por tudo. Independente de quem quer que seja, há algo entre a animalidade e a moral. Há algo que une pessoas e que não tem nada a ver com telefonia celular ou internet.

Acontece que aceitar só existe quando existe o outro. Isso também parece simples se aprender a aceitar não trouxesse benefícios também para o indivíduo sozinho. Porque muitas vezes é no outro que encontramos respostas para nossas perguntas e mais importante: é no outro que encontramos mais perguntas. Nesse sentido, o inferno da relação não é algo que deve ser evitado pois o outro é um dos caminhos para a nossa descoberta pessoal. Através do outro nós nos esculpimos ou melhor, nós vamos sendo esculpidos. Mas não no sentido do pore mas do labore, ou seja, vamos "aparecendo" quando destituídos daquilo que não é nosso e sim, do outro.

Atrevo-me então a deduzir, utilizando a metáfora da arte, que aceitar é aquilo que acontece quando nos relacionamos com o outro através do amor. A aceitação que damos é a aceitação conquistada, o indíviduo esculpido, a obra pronta e pronta porque é totalmente livre do outro. Novamente. É o ciclo completo.

Um comentário:

Kenji disse...

eu quase concordei 100% com este belo post :-)

minha ressalva é que eu acho que a aceitação é intransitiva ;-) ela vem de dentro para fora, é um processo que talvez nem precise de outras pessoas envolvidas (embora muitas vezes o objetivo seja justamente a convivência, como vc cita)

como talvez o amor tb seja intransitivo (como o livro), embora muitas vezes ele precise de outras pessoas ;-)

mas um belo post, ainda assim :-)