quarta-feira, 9 de maio de 2007

Se buzinar ele freia

Eu acho assim: tudo no mundo e na vida, mas tudo mesmo deve ser usado com o máximo de adequação visando o bem geral. Então por exemplo, voltando (já tive essa discussão em outros lugares, então para mim essa é a segunda vez) ao caso dos motoristas, atualmente tenho bastante, digamos, angústia de estar no trânsito com aquilo que hoje eu consegui denominar aquela mulher que aprende a dirigir com o fim de levar seus filhos à escola, ou , o motorista de domingo. Quem é esse? Imagine:
Caso 1 - grave - o rush
São 8 da manhã ou 6 da tarde, todo mundo querendo ir para casa, as ruas apinhadas de carros. Normal? Pense nessa situação sob um calor apocalíptico, desse que nos assolou meses atrás. Depois de passar pelos estágios da blasfêmia, choro e tristeza você vê ao longe que o sinal abriu. Seu coração se enche de alegria e você bota a primeira e quando vai acelerar percebe que os carros à sua frente não andaram. Passa um minuto,2, 3 e o sinal fecha de novo. Isso se repete mais uma vez. Aí você percebe que todas as pistas ao seu lado estão vazias e percebe logo em seguida que os carros à sua frente estão mudando de pista. Você resolve fazer o mesmo e então enxerga a causa da demora: ao ultrapassar o último carro vê a maldita dona Maria, mãozinha e cotovelinho encostadinho no volante e o banco quase chegando no vidro. Impressionantemente, no horário de rush a desgraçada está a 30, 40 por hora. E nunca, jamais, passa a terceira. Ora, se não houvesse pressa, todo mundo andaria de ônibus, que mais para que anda.
Caso 2 - médio grave, mas que emputece, emputece - a qualquer hora
Ninguém está livre. Sempre haverá nas ruas aquela mulher que aprende a dirigir com o fim de levar seus filhos à escola, ou , o motorista de domingo. Porque além de levar os filhos na escola, ela tem que levá-los à natação, judô, inglês. E ela tem que ir ao supermercado. E ela tem que ir no salão. Ela tem que viver. Algumas até trabalham. E ela vão de carro. Aí é assim: o carro está na sua frente a 2 palmos do sinal que ficou amarelo agora. Ela pára. O cara no cruzamento parou pro cara na frente dela passar, mas ela pára. E aí entram na frente dela e por consequência na sua frente, toda a torcida do Coríntians. Você entra numa longa avenida visível plenamente de seu princípio ao fim, de modo que TODOS vêem que pode ir, pode passar a terceira que não vem ninguém. Mas ela para em todos os cruzamentos. E não é diminuir não, é parar. Aí lá na frente você vê que lá vem um caminhão e tem uma ENORME caçamba que impossibilitará a passagem de dois carros. Todos atrás dela deram aquela chegadinha para a direita e ficaram atentos, pois ou você passa antes do caminhão, rápido, ou diminui para o caminhão passar. Mas não ela. Ela vai, vai e se encaixa exatamente quando o caminhão já está quase ultrapassando a caçamba. Conclusão, todos engarrafados atrás dela e atrás do caminhão. E para aumentar o entretenimento da população ela ainda dá piti, xinga "O Sr. não estava vendo que eu estava passando?". Claro, o carro dela não estava com a melancia, como é que a gente ia ver? E a curva. Ah meu Deus a curva. Na sua frente uma senhora como essa quer virar - que infelicidade - na mesma rua que você. Aí na auto-escola eles explicam que na rua cabem 2 carros, lado a lado. Mas não pra ela. Todos os carros tem que sair dali, gente, porque se não ela não consegue fazer a curva!
Bom, eu podia ficar o dia inteiro aqui só citando exemplos. De homens e mulheres. Mas tem sido impressionante a quantidade de mulher barbeira que eu tenho visto. Comecei até a contar. Via uma barbeiragem, pensava "É mulher". Pum. Era. Posso garantir que de 5 barbeiros, 3 ou 4 são mulheres.
Pensei um tempo atrás que a impaciência que me invadia era sinal de intolerância. Aí me vali de uma estratégia para testar a validade de uma idéia: pensei a situação sobre a perspectiva contrária, ou seja, não é ela que está errada mas os outros motoristas. Não funcionou. Não é normal, legal, divertido ou educado estorvar o funcionamento do tráfego. Acho inclusive que se deveria multar aquela mulher que aprende a dirigir com o fim de levar seus filhos à escola, ou , o motorista de domingo. Ou, criar vias especiais para deficientes automobilísticos.

7 comentários:

Kenji disse...

já viu o desenho do pateta do "sr motorista"?

:-)

estou adorando seus relatos de ódio de trânsito. dentro do carro, potencializamos nosso poder e ficamos mais cheios de ódio no coração

e isso é ótimo. vc vai ver as endorfinas que o ódio produz!

:-)

venha, Luke. Venha para o lado negro!

;-)

enquanto dá disse...

Velho, querer que o trânsito flua é ódio?

Leonado Kenji Shikida disse...

ah, mas vc vai ver que não é só querer ver o trânsito fluir

tem aqueles caras que buzinam atrás de vc ao mesmo tempo em que abre o sinal...

tem os motoristas de autorama, que só andam na linha que divide as pistas...

tem os caras que quebram seu retrovisor, seu vidro, que roubam seu estepe, que pregam papelinhos no vidro e no limpador...

tem o cara que pára na fila dupla...

tem o nó cego que te fecha...

e quando chove então, a diversão é dobrada!

;-)

Lori disse...

Por isso eu morro de MEDA de dirigir.... Eu acho todo mundo tão tenso e tão preocupado o tempo inteiro.. Nasci com vocação pra "mãe que aprendeu a dirigir pra levar us mininu pra escola".

Ó o Pateta Sr. Volante aquió?
http://www.youtube.com/watch?v=kdIgOQPuV9k

Eu sei esse link pq já mandei pra toda família, é MEU PAI retratado ali. Sem tirar nem por.

Escafandrista disse...

O que me dá raiva "naquela mulher que aprende a dirigir com o fim de levar seus filhos à escola" é a fila dupla. Seus preciosos filhos (eles são mais preciosos que todos os outros do mundo) têm que descer exatamente na frente da porta da escola. Não dá pra andar dez metros, virar a esquina e descarregar os moleques sem prejudicar o trânsito? É medo de assalto? Pára a um quarteirão, estaciona e desce pra levar a prole, que caminhar faz bem à saúde e economiza na academia.

Leonado Kenji Shikida disse...

lori: esse mesmo! nossa, como foi bom REVER esse treco! ;-)

Francisco disse...

Eu nunca pensei que eu ia dizer isso algum dia, mas não sinto a menor falta de dirigir. No Brasil eu era alucinado com meu carro, achava que nunca ia ficar de boa sem ele...

Daí vim prá cá, comprei uma bike, comecei a pedalar todo dia e vi como é saudável não se enfiar em um carro e ficar xingando aleatóriamente quem anda mais rápido ou mais devagar do que eu.

Tá certo que em BH a "alternativa bicicleta" não ia funcionar, especialmente porque tiveram a brilhante idéia de fazer a cidade no meio de um tanto de montanhas, mas fica aí a dica: mudem de cidade!

Brincadeirinha, tou com uma saudade fodida dessa terrinha...