quarta-feira, 23 de maio de 2007

A fonte da vida



Tenho um comentário para você Chico: acreditar em algo seja bom talvez só pra fazer um filme como este. Veja bem, não estou dizendo que se precisa acreditar para vislumbrar ou admirar.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O que acontece é que eu quero falar que vi o filme mas ainda não estou apta a falar dele propriamente. Mas o Omni, além de ser uma fonte (!) de informações, tem mais ou menos a mesma idéia que eu ou me surpreende com idéias interessantes.

Mas a princípio o filme vale a pena por 3 coisas simples:
- É do Darren Aronofsky, que fez entre outras coisa Pi e Requiem para um sonho;
- Tem o Hugh Jackman que é lindo, mas não é por isso somente, mas porque é legal como ele foi bem mais exigido nesse filme e conseguiu fazer acontecer um bom personagem;
- Tem a Rachel Weisz que eu acho absolutamente fera e que em A fonte da Vida fez toda a diferença.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Acho, inclusive, que eu não consigo escrever nada sobre esse filme porque estou lendo O médico e o monstro e achando Mr. Hyde interessante demais.

4 comentários:

Francisco disse...

Ei, Rosi!

Um post falando de mim, que honra!

Bom, com voce e o Omni (graaandes fontes!) falando do tal do filme e, alem disso, com um diretor desses, nao tem outro jeito: estou baixando o filme agorinha e, assim que eu tiver um tempinho para ve-lo com cuidado, eu volto aqui e escrevo mais.

Mas, em relacao ao ato de acreditar, o Neil Gaiman (vc conhece?) falou uma coisa que eu acho que mostra exatamente o que eu (e voce, eu acho) pensamos sobre o ato de acreditar e o ato de se criar uma historia. Perguntaram para o camarada se ele acreditava em deus, ja deuses e panteoes sao um tema frequente de suas historias, e ele respondeu:

- Eu sou um escritor e, como tal, eu acredito no que for necessario para se fazer uma boa historia!

Um beijao!

enquanto dá disse...

HAHAHAHAHAHAHAH, boa, cara! Conheço o cara, eu amo Sandman...
Mas veja o filem, veja, veja e vamos papear sobre ele também!!

Francisco disse...

Ei, Rosi!

Sandmand é muito doido mesmo, foi o meu primeiro contato com hqs para adultos (e eu tinha só 14 anos, uma das vantagens de se ter um pai desenhista :-D). Se vc gostou do sandman vc tem que ler os livros do Neil Gaiman também, especialmente o American Gods e o Anansi boys, pode por aí na sua (imensa, imagino) lista de livrinhos divertidos, acho que vc não vai se arrepender...

Vi o filme esse fds mas só tive tempo de vir aqui escrever hoje, esse troço de doutorado até que toma um tempinho de vez em quando! Bom, tenho várias coisas para falar dele, não sei nem por onde começar direito...

Visualmente o filme é maravilhoso, me impressionou de verdade, de parar uma cena e voltar prá ver de novo várias vezes. Os efeitos especiais ficaram muito bons, parecia de verdade! Daí eu descobri lá no blog do Omni (onde, é claro, tinha o link para a entrada da wikipedia para ler mais sobre os efeitos especiais do filme) que quase tudo foi feito usando macros de bolhas de verdade se deslocando dentro de líquidos, muito doido...

Pouquíssimos filmes tem a propriedade de me deixar pensando nele por horas prá tentar encaixar todos os fatos e bolar uma interpretação de como tudo aconteceu. Na maioria das vezes a história não é tão legal assim a ponto de me fazer ficar fritando nela mas, nesse filme, eu fiquei obcecado!

MInha teoria final sobre o filme é bem diferente da do tio Omni, prá mim é como se a essência de um ser vivo nunca se perdesse (algo como uma manutenção de consciência após a morte, e essa consciência pode passar entre diferentes meios materiais). Inicialmente o Tomás e a Rainha se tornam ligados pelo anel. Depois o Tomás se liga ao Thomas do séc. XX pela árvore que tinha o composto químico. Esse Thomas coloca a essência da Izzi na árvore ao plantá-la sobre a sua lápide.

Outra coisa que eu achei muito interessante (o mais interessante, na verdade) foi algo que, na falta de uma palavra melhor, vou chamar de propriedade da trancendência. O filme não entra em nenhuma polêmica de religião X ciência, ele consegue fazer a conexão entre os dois personagens continuar através do tempo usando ciência, religião, metahistórias (o livro dentro do próprio filme). Prá mim é a idéia de que a permanência da consciência (que eu falei lá no outro parágrafo) pudesse ser interpretada pelo que cada época acredita: em 1500, a árvore dá a vida, a religião aceita isso e pronto. Em 2000, quando todo mundo precisa de alguma evidência científica prá acreditar em qualquer coisa, ele descobre o composto na árvore. É como se existisse um fato (a permanência da consciência através dos tempos, sempre ligada à árvore) e cada época tentasse explicar isso com o seu paradigma...

Essa mistureba de crenças tinha tudo prá dar muita merda mas, nesse filme, prá mim ficou perfeito. Acho que ficou tão bom assim porque ele não tenta explicar as coisas de verdade, só relata os fatos e deixa a gente imaginar como a conexão entre as épocas aconteceu...

Resumindo: valeu demais pela dica! Um filme muito lindo e que me fez pensar um tempão sobre ele.

E você, o que tem a falar sobre o filme (ou sobre o Mr. Hyde)? Já leu a hq "a liga extraordinária"? Lá tem um Mr. Hyde muito divertido também...

enquanto dá disse...

Ah Chicão! Eu imaginei que esse filme ia pelo menos te fazer coçar a cabeça, principalmente pelo aspecto, em que ambos concordamos, da abertura de interpretação.
Repetindo eu acho que o diretor desse filme é daqueles que Heitor Capuzzo (professor de cinema dos idos da faculdade)considera criador de um estilo. Com temas variados, ele está construindo sua obra delicadamente, mas em todos eles tem lá sua mãozinha, sua marca. E essa marca é, para mim, a dubiedade, independente da escala. Logicamente que ele é um cara preocupado com a imagem, com o moderno em termos de recursos, mas ele está um pouco longe de ser um James Cameron que não imprime absolutamente nada de relevante em sua obra. Então eu acho, primeiramente, que esse filme tem perguntas primordiais, tal como tinha o Pi. Tal como tem, em menor escala, o Requiem para um sonho. Esse diretor tem obsessão por duas coisas: saber como as coisas começam e como eles podem terminar, e "podem" aqui, é entendido num sentido bem vasto.
Entendi também no filme que há uma questão de transcendencia. Melhor, eu, a cada dia que passa, acho que esse filme é a continuação do Pi. Em termos de raciocício. O Pi é um número infinito, a essência da vida é infinita. Mas e ai? O que sobra? Porque eu acho que tem duas coisas que trabalham na contra-mão do que o Aronofsky acredita: o personagem usar a meditação como cura/ análise/ encontro consigo; e o personagem OLHA O SPOILER GENTE, NÃO LEIA A PARTIR DAQUI QUEM NÃO VIU O FILME morrer para também transcender. Porque aqui eu acho que ele emitiu uma opinião: para transcender é preciso acreditar, ou seja, é preciso ter fé. Ahá. Fé, meu amigo Chico. Eu acho que o Aronofsky acredita que tem que haver algo "além" da matéria. E sinceramente, no filme há todo tipo de indício, seja cor, figura, indicando que esse "além" está coisificado ou seja, ele é algo que nós não sabemos o que é e que tem poderes maiores que os nossos. Algo que nos indica o caminho. Porque se o cara não acredita no poder daquele não sei o que ele não morreria nunca. E porque ele acredita ele aceita um destino. Um destino que a gente imagina, pelo fim do filme, que talvez seja a milionésima encarnação. Ou não. E isso também é outra coisa inerente à fé, ou seja, a dúvida.

Agora, quanto ao Mr. Hyde, cara, só uma coisa porque isso já ficou enorme :) : eu li um volume em que estão os chamados "Três maiores histórias de terror" que são "Frankeinstein", "Drácula" e "O médico e o monstro". Desse volume então eu tive pelo menos 2 grandes surpresas: A introdução de Stephen King que é uma obra a parte; e o conhecimento de um escritor como o Stevenson que tem uma qualidade literária absurda, o que não é comum no gênero mais conhecido do terror. Mas isso é outro papo que eu ainda vou ter aqui. Aguarde e muito abraço quente do Brasil aí pra você!!