quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Essa titica de classe média


"Um palpite: o cinema deixou há muito de ser entretenimento popular, com seus ingressos entre R$ 15 e R$ 20. É lazer para classe média alta, que tem real poder de consumo. E "Antônia" não atrai tal fatia da população, porque não tem nenhum astro ou estrela (de Hollywood ou das novelas), é um drama (não uma comédia escrachada) e retrata o cotidiano da periferia de São Paulo. Não é fácil escrever isto, mas a realidade é que esse público consumidor não quer ver pobre no cinema. Na história nacional recente, a única exceção foi "Cidade de Deus". Ou estou enganado?" (fonte)

Tenho discutido e ouvido muitas discussões sobre a tal da classe média, em que meu amigo diz que estamos inseridos. Numa dessas discussões chegamos a um ponto em que há poucas exceções: a classe média além de preguiçosa é apática. Começo a questionar se ela também não é burra. Impressionante a quantidade de gente que, fazendo parte dessa classe e, portanto sendo instruída e tendo acesso aos meios de comunicação, opte por tentar poder consumir mais bens fúteis ao invés de buscar mais instrução. Indefinido, o tanto de gente que eu conheço que tem orgulho, ainda por cima, da burrice e do comodismo.
E aí tem o Antônia, mais esse filme que mostra a pobreza, que cá pra nós, está é do lado de fora da janela de cada um. Correção, ela está "mais pra lá", dá pra vê-la, mas tocá-la... ah... O povinho quer é ver o demônio vestido de Prada. E não me venham com aquele discursinho velho e sem noção "pobreza eu vejo todo dia, eu quero é luxo". Nessas ocasiões é que penso: Poxa, se sua cabeça tá ocupada com esses tipo de pensamento, o quê que você tá fazendo que não seja capinando lote? Vai lavar roupa pra fora que pelo menos o produto do esforço sai limpo!

3 comentários:

Lori disse...

Mas Antônia é uma pobreza um tanto glamourizada (não sei do filme, mas a série eu peguei uns dois episódios...)

enquanto dá disse...

Na verdade, eu nem vi o filme. A crítica da Folha, especialmente no que diz respeito ao "consumidor não querer ver pobre no cinema" é que me chamou mais atenção mesmo. Provavelmente, como você mesmo diz, o Antônia deve ser galmourizado, mesmo porque pra Globo passar, deve ter dado "aquele" trato... :)

Kenji disse...

acho que foram as filmagens desse filme que foram feitas numa favela, e que no making off mostra a população local falando que nunca tinha nem ido no cinema antes.

realmente, pro zé povão da favela, cinema nunca foi entretenimento, nem quando custava bem menos :-)

mas felizmente existem os camelôs de DVD pirata para garantir a inclusão digital e cultural da parcela mais pobre :-)

quanto à classe média, eu me lembro com muito medo do que o Rene, um cara hondurenho com quem eu trabalho, contava do que foi acontecendo no país dele ao longo dos anos.

História típica de américa latina. Um monte de amigos dele sumiram nas guerras políticas, ele foi vendo a classe média ir minguando cada vez mais até que simplesmente sumiu. É o que acontece quando a má distribuição de renda chega ao fim.

aí, cara, pedir prá ser assaltado na rua não é mais sair de carrão e indo prá festa na raja. já é andar de camisa pólo e calça jeans mesmo. (foi exatamente este o exemplo que ele me deu)

mas eu fiquei menos fatalista um pouco depois de ler o livro do jeffrey sachs, que aliás eu acho que todo estudante de 2o grau e prefeito de cidade de interior deveria ler tb :-) inspirador