quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Lady in the water



Night Shyamalan ficou conhecido mundialmente pela magistral sacada de “O Sexto sentido”. Tentou repetir o sucesso com “Sinais”, “Corpo fechado” e “A vila”, mas não foi tão bem sucedido quanto no primeiro. Mas vendo “ A dama na água”, ouso a dizer que ainda resta uma esperança, ademais o azedume da crítica.
A história do filme é um conto para crianças, uma fábula, inventada pelo próprio diretor. Nela, um universo fantástico foi criado, mas dentro do familiar contexto de um ser benéfico e libertador perseguido pelas forças do mal. Mas não é isso que me chamou a atenção.
Colocar uma estória fantástica no cinema há muito tempo deixou de ser tarefa difícil. A computação gráfica já nos deus centenas de exemplos de sua aplicação em filmes das mais variadas temáticas. Em "A dama na água" porém, os efeitos visuais quase foram para o segundo plano em prol de uma temática visual que é a coisa mais interessante do filme. Porque o diretor, não sei se por escolha, deixou, como nas histórias da carochinha, para a imaginação completar o seu enredo e produzir o sentido. As soluções visuais (como a águia que vem buscar a "narf") são absolutamente simples e criativas.
Posso até dizer que a simplicidade é o verdadeiro chamariz de "A dama na água". Os personagens são um tanto quanto tipificados, mas minimamente. O ambiente reduz-se a um pequeno condomínio. E o objetivo dos personagens é apenas salvar uma moça pálida e indefesa de um mal que eles nem mesmo vêem, mas acreditam. E para isso, entram no universo que envolve essa moça.
Night Shyamalan é um declarado fã de Spielberg. E em "A dama na água" é possível notar semelhanças entre ambos (deixar para as crianças a chave da solução dos mistérios, por exemplo). Mas Night é até mais esperto e chega a discutir o próprio universo do cinema tanto em discurso - o crítico de cinema, morador do condomínio, que explica como os filmes funcionam, por exemplo - quanto em metáforas imagéticas. Atrevo-me a dizer que foi até melhor, com uma ninfa, do que Spielberg foi com um robô menino artificial, em termos de criar uma fábula infantil no cinema.

Um comentário:

Kenji disse...

IA tem outro problema: o texto original é fraco. aliás, o livro inteiro que me emprestaram do autor, que continha o tal conto que inspirou o filme, é fraco.

é mais ou menos o contrário do solaris, onde o texto original é muito bom mas o filme do clooney caga tudo. a versão russa é ok, mas é sonífera