Lady in the water



Night Shyamalan ficou conhecido mundialmente pela magistral sacada de “O Sexto sentido”. Tentou repetir o sucesso com “Sinais”, “Corpo fechado” e “A vila”, mas não foi tão bem sucedido quanto no primeiro. Mas vendo “ A dama na água”, ouso a dizer que ainda resta uma esperança, ademais o azedume da crítica.
A história do filme é um conto para crianças, uma fábula, inventada pelo próprio diretor. Nela, um universo fantástico foi criado, mas dentro do familiar contexto de um ser benéfico e libertador perseguido pelas forças do mal. Mas não é isso que me chamou a atenção.
Colocar uma estória fantástica no cinema há muito tempo deixou de ser tarefa difícil. A computação gráfica já nos deus centenas de exemplos de sua aplicação em filmes das mais variadas temáticas. Em "A dama na água" porém, os efeitos visuais quase foram para o segundo plano em prol de uma temática visual que é a coisa mais interessante do filme. Porque o diretor, não sei se por escolha, deixou, como nas histórias da carochinha, para a imaginação completar o seu enredo e produzir o sentido. As soluções visuais (como a águia que vem buscar a "narf") são absolutamente simples e criativas.
Posso até dizer que a simplicidade é o verdadeiro chamariz de "A dama na água". Os personagens são um tanto quanto tipificados, mas minimamente. O ambiente reduz-se a um pequeno condomínio. E o objetivo dos personagens é apenas salvar uma moça pálida e indefesa de um mal que eles nem mesmo vêem, mas acreditam. E para isso, entram no universo que envolve essa moça.
Night Shyamalan é um declarado fã de Spielberg. E em "A dama na água" é possível notar semelhanças entre ambos (deixar para as crianças a chave da solução dos mistérios, por exemplo). Mas Night é até mais esperto e chega a discutir o próprio universo do cinema tanto em discurso - o crítico de cinema, morador do condomínio, que explica como os filmes funcionam, por exemplo - quanto em metáforas imagéticas. Atrevo-me a dizer que foi até melhor, com uma ninfa, do que Spielberg foi com um robô menino artificial, em termos de criar uma fábula infantil no cinema.

Comentários

Kenji disse…
IA tem outro problema: o texto original é fraco. aliás, o livro inteiro que me emprestaram do autor, que continha o tal conto que inspirou o filme, é fraco.

é mais ou menos o contrário do solaris, onde o texto original é muito bom mas o filme do clooney caga tudo. a versão russa é ok, mas é sonífera

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