sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Tem gente que sabe explicar o que eu não sei

"(...)Àquilo que chamamos uma cultura não possui nenhuma unidade de estilo, é antes uma confusão de práticas discursivas rigorosamente interpretáveis, um caos de precisão. Mas todas essas práticas têm em comum ser, ao mesmo tempo, empíricas e transcendentais, e como tais, constitutivas, há tanto tempo que não podem ser eliminadas, e só o diabo sabe com qual recurso se haverão de impor em cada caso esses “discursos” (dado que constituem as condições de possibilidade de toda ação). Foucault não se oporia se propuséssemos que o transcendental é ao mesmo tempo histórico. As condições de possibilidade inscrevem toda a realidade no interior de um polígono irregular, cujos estranhos limites não possuem jamais a ampla cobertura de uma racionalidade acabada; seus limites lhes são desconhecidos pela mesma razão e parecem inscritos na plenitude de algum raciocínio, essência ou função. O que é falso, pois constituir é também sempre excluir; há sempre um vazio em redor, mas vazio de que? De nada, um nada, uma simples maneira de evocar a possibilidade de polígonos recortados de outro modo, em outros momentos históricos; uma simples metáfora.(...)"
http://www.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/art11.html

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